Foram utilizadas 500 calças jeans e cerca de 30 quilos de lona durante as oficinas que duraram três meses
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| Agência O GLOBO - Guito Moreto |
RIO — No lugar do incessante corre-corre, habitual do Complexo do Alemão, os passos que ditaram o ritmo da Estação de Teleférico de Bonsucesso, na manhã desta terça-feira, foram mais lentos, compassados ao som de música e embalados por vestidos esvoaçantes. As peças da coleção de moda sustentável “O Lixo virou Luxo”, que vestiram modelos da comunidade e mudaram os ares da estação de trem, foram confeccionadas por 90 jovens de bairros do Complexo do Alemão durante o projeto Eco Moda, uma parceria entre a Secretaria estadual do Ambiente, o Empório Almir França e a Escola de Moda da Universidade Cândido Mendes.
Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o grupo conseguiu arrecadar mais de 500 calças jeans e cerca de 30 quilos de lona usada em cartazes durante o Fashion Rio. Nas mãos dos jovens estilistas, o lixo se transformou, depois de três meses de trabalho, em vestidos, chapéus, bolsas e acessórios.
— No Alemão já desenvolvemos a Fábrica Verde, que ensinava a reciclar peças de computador, e agora queremos mostrar que a moda pode ser sustentável. Essa é uma oportunidade para formar profissionais e para aumentar a autoestima, tanto dos jovens que confeccionam as roupas, quanto dos modelos — disse Minc, que ganhou de presente um colete feito com material reciclado, que se transforma em uma bolsa ecológica.
Para Almir França, estilista e coordenador do projeto, moradores dos bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro já possuem o hábito e têm consciência da importância da reciclagem. Na Zona Norte, onde a coleta seletiva é menos difundida, esse conceito precisa ser introduzido.
— Precisamos mostrar que ao invés de comprar o sofá que é anunciado pela televisão todos os dias, você pode fazer um pufe de garrafa pet, por exemplo. Eles têm o material, o negócio é dar o conhecimento — acredita França.
A estudante Jéssica Cristiny, de 14 anos, já aprendeu a lição. Começou na Fábrica Verde reciclando peças de computadores, passou para a produção das roupas e já sonha alto:
— Esse foi meu primeiro desfile, mas não quero parar nunca mais. Meu sonho é ser modelo — planeja.





















