quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Secretaria do Ambiente inaugura projeto Ecomoda na Mangueira


Projeto visa a capacitar alunos em técnicas de corte e costura, modelagem, bordado, desenho e estamparia com foco no reaproveitamento de tecidos usados e outros materiais
Ascom SEA
Sandra Hoffmann
Um dos redutos do samba carioca, a Mangueira – 18ª comunidade pacificada do Rio de Janeiro – se prepara para ser referência em moda sustentável. Em solenidade em que o cantor e compositor Nelson Sargento foi homenageado, foi inaugurada hoje (31/10) a primeira unidade no Rio de Janeiro do Projeto Ecomoda, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), que visa a capacitar moradores da Mangueira em técnicas de corte e costura, modelagem, bordado, desenho e ilustração de moda e estamparia, com foco no reaproveitamento e reutilização de materiais.

Funcionando em prédio de 450m², com 50 máquinas de corte e costura, na Travessa Saião Lobato, na localidade conhecida como Buraco Quente, o Projeto Ecomoda vai capacitar 150 alunos da comunidade no curso do projeto, com duração prevista para três meses. Ao longo do curso, os alunos inscritos receberão ajuda de custo de R$ 120 reais mensais.
O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, que participou da cerimônia de abertura, destacou que a inauguração do projeto Ecomoda foi possível graças à pacificação da comunidade. “O objetivo do projeto Ecomoda é transformar lixo em luxo, pois vai capacitar os alunos em moda, a partir do reaproveitamento de material que iria para o lixo. Por exemplo, banners foram transformados em bolsas, retalhos deram lugar a vestimentas de bom gosto. Após a capacitação, o nosso objetivo é de que as peças confeccionadas por esses alunos sejam comercializadas em shoppings centers, por exemplo, com a renda obtida sendo revertida para os próprios alunos do projeto Ecomoda. Então, o projeto vai transformar lixo em luxo, vai reciclar e vai gerar renda para a própria comunidade.”
Em sua fala, Minc destacou ainda a promoção pela SEA do projeto da Fábrica Verde, outra importante iniciativa desenvolvida nas comunidades pacificadas do Alemão e da Rocinha, que transforma lixo eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para as comunidades. Pelo programa, os jovens são capacitados em montagem e manutenção de computadores a partir de peças de computadores doadas. 
Já nas mãos dos alunos do projeto Ecomoda, restos de tecidos de confecções, retalhos, jeans e banners doados, que normalmente iriam para o lixo, começaram a ganhar um novo visual: banners foram transformados em bolsas e retalhos deram lugar a blusas, saias e vestidos de bom gosto. Até mesmo CDs, que seriam descartados, ganharam adornos com detalhes em fuxicos e bordados, sendo transformados em peças de decoração na sala do prédio onde passou a funcionar o Projeto Ecomoda.
O ponto alto da festa foi a homenagem ao cantor e compositor Nelson Sargento, um dos baluartes da Mangueira, que foi prestigiado com um desfile das alunas do curso com peças produzidas por elas mesmas. “Depois de 62 anos morando aqui na Mangueira, sempre acreditei que um dia nossa comunidade teria de volta a sua dignidade. Eu já sabia que isso, um dia, iria acontecer. E a pacificação chegou e as oportunidades para os nossos jovens também. Só nos resta apoiar e aplaudir esta oportunidade, pois estes jovens são o nosso Brasil de amanhã”, disse.
Responsável pelo projeto, a superintendente de Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich, disse que a iniciativa visa também a despertar nas pessoas uma nova visão de moda, que é a moda sustentável. “Além deste, vamos inaugurar, em breve, na comunidade pacificada do Salgueiro, na Tijuca, o projeto Ecobuffet. O objetivo é promover a inclusão social e econômica de moradores dessas comunidades através de capacitações em aproveitamento integral de alimentos, culinária, empreendedorismo e educação ambiental.”
Ingrid Gerolimich destacou ainda que o projeto Ecomoda ganhou o apoio da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que vai doar materiais de carnaval das escolas de samba para o projeto.

O estilista e educador social do projeto, Almir França, destacou que a moda sustentável abre uma nova era para o mundo da moda. “O que me desperta a atenção é a possibilidade de aproveitar o lixo que não tem mais utilidade para uns e que pode virar textura para essa nova indústria da moda. Hoje, a indústria têxtil não tem mais o que inventar, então é preciso se reiventar naquilo que já existe. E o Brasil sai na frente, pois o país possui a melhor matéria-prima, que é o algodão, por exemplo. A durabilidade dele é grande. Então precisamos fazer com que os tecidos voltem a ser fibras e que voltem a ser tecido novamente, mas com uma nova textura. E um caminho, neste sentido, é a reciclagem.”

A psicopedagoga Damiana Maria dos Santos, 46 anos, é uma das alunas do curso de estamparia do Projeto Ecomoda. Ela conta que decidiu fazer o curso para adquirir mais conhecimento e, assim, melhorar o seu trabalho. “Em psicopedagogia, eu utilizo muito cores em meu trabalho com crianças. E como estamparia explora justamente a cor, eu resolvi fazer o curso para aprimorar o meu trabalho. Afinal, conhecimento nunca é demais”, disse ela, que fez fuxicos e bordados nos CDs que foram transformados em peças de decoração.

MODA SUSTENTÁVEL GANHA ESPAÇO NA MANGUEIRA


Banners transformam-se em bolsas. Paletós viram vestidos. Anéis de alumínio das latinhas de refrigerantes ganham forma de enfeites em roupas e acessórios. Em tempos onde a preocupação com a sustentabilidade está em alta, o projeto EcoModa da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), por intermédio da Superintendência de Território e Cidadania, tem sua primeira sede montada na comunidade da Mangueira.




As aulas começaram no dia 17 de setembro e já estão colhendo resultados. Vera Lúcia da Silva Monteiro, aluna do curso de Bordado, aprendeu a fazer bolsas observando o que estava sendo ensinado na sala ao lado da sua, no curso de Designer de Acessórios. Resultado: Vera já recebeu encomendas de cinco bolsas e garantiu uma renda extra no mês.

- Aprendi que o lixo pode virar ouro. Estou sempre de olho em objetos que podem ser reaproveitados. Trabalhava em casa com costura há bastante tempo, mas não sabia bordar. Faço aulas há quatro anos em outro lugar, mas não é tão produtivo. Aqui, em pouco tempo, assimilei muita coisa, e o curso já está rendendo frutos – ressalta Vera Lúcia, mãe dos gêmeos Wendel e Wesley, de oito anos, e de Walacy, cinco. – Fiz o curso técnico de contabilidade para atender ao pedido do meu pai, mas depois que meus filhos nasceram, decidi realizar um sonho antigo: o de trabalhar com moda.
Ao contrário de Vera Lúcia, Andressa de Oliveira Santos, aluna do curso de Acessórios, deparou-se com um mundo totalmente novo, e agora não pensa mais em sair do caminho da moda.
- Nunca mexi com costura. A única coisa que eu sabia fazer era enfiar a linha na agulha e achar que estava costurando. Estamos aprendendo a fazer bolsas e a reaproveitar roupas que pensávamos que não valia mais a pena.
Além de Bordados e Designer de Acessórios, a EcoModa dispõe ainda de mais quatro cursos que fazem parte de um currículo formal: Corte e Costura, Estamparia e Serigrafia, Modelagem e Desenho de Moda e Ilustração. As aulas têm três meses de duração, e além do aprendizado, as alunas recebem uma bolsa-auxílio de R$ 120 por mês. No fim do trimestre, as melhores alunas serão convidadas a ocupar o cargo de monitoras das futuras turmas, e receberão uma ajuda de custo de R$ 600 mensalmente.
Segundo o coordenador criativo da EcoModa, Almir França, o projeto já estava sendo testado há um ano em outras comunidades. A inauguração oficial do projeto na Mangueira acontecerá no dia 31 de outubro.
- É um projeto que tem muito a ver com a pacificação nas comunidades. É uma resposta do Estado para essa questão. Entende-se que moda, estética, arte são desejos desses cidadãos. É importante ver o que as comunidades estão fomentando e produzindo em nível de reaproveitamento, e pensar o quanto isso pode dar cidadania e autoestima aos moradores. Hoje falamos muito em reaproveitamento, reciclagem e na questão ambiental. É preciso pensar que nem tudo é lixo necessariamente. As coisas podem ter um tempo de vida maior, e reaproveitar uma peça ou criar uma nova textura também pode ser ‘fashionista’.
Superintendente de Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich ressalta que a Ecomoda é um projeto que surge para dar novas oportunidades às comunidades e abrir uma nova discussão na sociedade.

- A ideia é trabalhar sempre na perspectiva de gerar renda e de desenvolver um projeto de economia verde para as comunidades pacificadas. A EcoModa surge da importância que vemos nesse mercado mesclando sustentabilidade e reaproveitamento. A ideia é construirmos ao final do projeto um empreendimento que fale sobre moda sustentável e que chegue ao mercado com qualidade.
Ingrid explicou ainda que uma parceria está sendo feita com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) para o reaproveitamento das fantasias de Carnaval e também com as empresas que estão retomando suas atividades na Mangueira.
- Muitas empresas saíram por causa do tráfico de drogas e da criminalidade. A ideia é mostrar que está sendo aberto um novo cenário para investimento na Mangueira. Com projetos como esse, queremos mostrar que a comunidade está disposta a participar e que ela precisa desses incentivos. As empresas hoje são muito bem-vindas e encontrarão um celeiro com pessoas que produzem com qualidade e que são grandes artistas. É isso que queremos mostrar para todo o Rio de Janeiro, ressaltou.
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

FÁBRICA VERDE ABRE INSCRIÇÕES PARA CURSO DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE COMPUTADORES

29/10/2012
» Rodrigo Burgos - ASCOM/SEA
Iniciativa tem o objetivo de gerar emprego e renda para jovens moradores de comunidades pacificadas pelo Governo do Estado


A Superintendência de Território e Cidadania (STF), da Secretária de Estado do Ambiente (SEA), abriu as inscrições para o Curso de Montagem e Manutenção de Computadores da Fábrica Verde, Unidades 1 e 2, a ser realizado no Complexo do Alemão e na Rocinha. As inscrições vão até 4 de dezembro, das 9h às 17h.

O curso tem duração de três meses e oferece bolsa–auxílio de R$ 120,00. As aulas serão ministradas nos turnos da manhã e da tarde. O processo seletivo acontecerá de 5 a 7 de dezembro, das 9h às 11h ou das 14h às 16h.

O projeto Fábrica Verde tem o objetivo de transformar lixo eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para jovens moradores de comunidades pacificadas pelo Governo do Estado, a partir da implantação de UPPs (Unidades de Polícias Pacificadoras). 

A primeira Fábrica Verde foi instalada nos arredores do Complexo do Alemão. Em junho 2012, foi inaugurada a segunda Fábrica Verde, na Rocinha. Os alunos aprendem a reciclar computadores, monitores e impressoras usados, se especializando em montagem e manutenção desses aparelhos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SECRETARIA DO AMBIENTE APRESENTA PROJETO FÁBRICA VERDE AOS MORADORES DO SALGUEIRO

» Esther Medina


Iniciativa divulgou equipamentos feitos por alunos do Complexo do Alemão e da Rocinha


A Superintendência de Território e Cidadania, da Secretaria do Ambiente, participou neste sábado (20/10) de uma ação promovida pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, na quadra da agremiação, no Andaraí. O órgão aproveitou o evento para expor equipamentos eletrônicos produzidos por alunos do projeto Fábrica Verde, que é desenvolvido nas comunidades pacificadas do Complexo do Alemão e da Rocinha, e, também para divulgar aos moradores da região a criação de uma unidade no Salgueiro, ainda este ano.



– A ideia é apresentar o projeto Fábrica Verde aos moradores das comunidades do Salgueiro e do entorno da Tijuca. O projeto oferece cursos de montagem e manutenção de computadores, ensina a reaproveitar peças de máquinas usadas e como realizar o descarte seguro de lixo eletrônico. O curso é uma forma de promover a inclusão social e tem gerado renda nas comunidades pacificadas do Alemão e da Rocinha. O mais importante é informar às pessoas que uma unidade da Fábrica Verde deverá ser implantada no Salgueiro até o fim do ano – explicou a coordenadora da Fábrica Verde da Rocinha, Cintia Porto, responsável por divulgar o projeto no evento.



Os alunos do curso Fábrica Verde, que tem duração de três meses e é voltado para jovens na faixa etária de 16 a 30 anos, recebem uma ajuda de custo mensal de R$ 120. Além disso, os participantes que mais se destacam nas aulas têm a oportunidade de virar monitores do projeto, com direito à remuneração.


– A ideia do projeto é boa e gostei muito de ver os equipamentos feitos pelos alunos. Assim que for inaugurada a unidade no Salgueiro, vou sugerir à minha neta que se inscreva. Ela gosta de computadores e vai se interessar pelo tema – disse a aposentada Graciana Maria dos Santos, de 75 anos, que visitou a banca da Fábrica Verde no evento e quis saber detalhes sobre a iniciativa. 


A universitária Aline Rodrigues, de 28 anos, também recolheu folhetos informativos sobre o projeto para apresentar à irmã adolescente.



– É uma iniciativa interessante que vou recomendar à minha irmã. É uma ótima maneira de gerar inclusão social e ensinar informática de forma sustentável – afirmou.

Projeto EcoModa

A ação social no Salgueiro ainda contou com a participação do Projeto EcoModa, também desenvolvido pela Secretaria do Ambiente, que promoveu uma oficina de customização de peças com reaproveitamento de materiais. No evento, foram oferecidos aos visitantes exames oftalmológicos, de glicose e pressão arterial, além de assistência jurídica.

Confira as fotos












 



sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Secretaria do Ambiente apoia ações de saúde e cidadania no Salgueiro

Moradores da Tijuca participarão de atividade que deverá promover 7 mil atendimentos médicos e jurídicos nas comunidades pacificadas da região

Quando: sábado (20/10); das 9h às 14h
Onde: Quadra do Salgueiro (Rua Silva Teles, 104, Andaraí)
Diversos atendimentos gratuitos de saúde e jurídicos serão oferecidos, neste sábado, para moradores das comunidades pacificadas da Tijuca. O projeto Sambando com Saúde, que faz parte da campanha Saúde e Cidadania, promovida pela Escola de Samba do Salgueiro, pretende realizar 7 mil atendimentos na região. Exames de sangue, de mama, auditivo, orientação médica e jurídica, aplicação de flúor e fisioterapia são alguns dos atendimentos que serão oferecidos aos participantes da campanha.
A Superintendência de Território e Cidadania (STC), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), participará da ação social com uma exposição de equipamentos eletrônicos, produzidos por alunos dos projetos Fábrica Verde, desenvolvido nas comunidades pacificadas do Complexo do Alemão e da Rocinha, e do projeto Ecomoda, desenvolvido na comunidade da Mangueira que promove oficinas a partir do reaproveitamento de peças de vestuário e acessórios. 
O Salgueiro será a próxima comunidade pacificada a receber o projeto Fábrica Verde, da SEA, que tem como objetivo transformar lixo eletrônico em inclusão digital, por meio do reaproveitamento de computadores usados, e gerando empregos para moradores de comunidades com UPPs. Na Fábrica Verde, os jovens alunos são capacitados em manutenção e montagem de computadores.
Durante a ação, também serão promovidas oficinas de customização de peças com alunos do projeto Ecomoda, que oferece capacitação nas áreas de costura, modelagem, desenho e ilustração de moda e estamparia, com foco no reaproveitamento e utilização de materiais, com o menor impacto ambiental possível.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aulas inaugurais do projeto Comunidades Verdes começam esta semana

Iniciativa da Secretaria do Ambiente visa à inclusão socioambiental a partir do aprendizado de técnicas de plantio de mudas de árvores

Ascom SEA
Rodrigo Burgos

As aulas inaugurais do Projeto Comunidades Verdes serão promovidas de 16 a 19 de outubro. O projeto é uma iniciativa da Superintendência de Território e Cidadania (STC), da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), com o Iser (Instituto de Estudos da Religião).

As aulas inaugurais do curso Manejo Agroecológico de Viveiros de Mudas para Hortas, Jardins e Recuperação Ambiental, serão realizadas nas comunidades do Jardim Batan, Casinhas (no Alemão), Morro da Formiga e Morro do Fogueteiro.

Ao todo, o curso terá duração de quatro meses, com aulas três vezes por semana.

Para as aulas inaugurais estão previstas dinâmicas de apresentação das turmas, apresentação institucional das organizações envolvidas e um bate-papo com agricultores urbanos que possuem ações consolidadas no Município do Rio de Janeiro. 

O Comunidades Verdes é um projeto socioambiental que tem como objetivo contribuir para a melhoria do microclima e dos aspectos paisagísticos de comunidades pacificadas, além de promover alternativas de geração de renda para moradores, a partir do aprendizado de técnicas de plantio de mudas.
Mais informações pelos telefones : 21 2334-5731/2332-5623  - Superintendência de Território e Cidadania (STC)

A difícil tarefa de descartar o lixo eletrônico

Oglobo


Para se desfazer dos produtos, a saída é ligar para a Comlurb ou recorrer a sucateiros que atuam nas ruas



Gabriel Cascaes recolhe cerca de 600kg de lixo, que vende no ferro velho de Cordovil
Foto: Laura Marques / Agência O Globo
Gabriel Cascaes recolhe cerca de 600kg de lixo, que vende no ferro velho de Cordovil Laura Marques / Agência O Globo

RIO — O consumidor sofre na hora de encontrar um lugar para descartar o seu lixo eletrônico, principalmente os eletrodomésticos. Para testar como as empresas estão tratando o tema, foram enviados e-mails para o SAC de oito empresas — Philips, Vicini, Black&Decker, Arno, Nikon, Sky, Garmin e Lorenzetti — perguntando onde poderia ser descartado o aparelho quebrado. Três responderam e deram uma solução para o consumidor: a Sky, depois de deixar por dois anos os receptores e controles remotos na casa do consumidor, finalmente recolheu os equipamentos inservíveis; a Garmin se ofereceu para tentar consertar o GPS em São Paulo, pois no Rio não há assistência técnica; e a Lorenzetti enviou endereços de assistências técnicas, onde os chuveiros queimados poderiam ser entregues. As outras cinco não responderam. Quando o lixo eletrônico é de computadores, baterias e celulares, o consumidor ainda encontra pontos de recolhimento nas fábricas verdes. Mas quando se trata de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, a saída é pedir o serviço da Comlurb ou utilizar pessoas que recolhem nas ruas.

Segundo o secretario estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, que participou da elaboração da lei federal de Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, hoje o principal nó é a logística reversa, na qual as empresas precisam incluir no processo de produção o recolhimento do descarte de seus produtos. A implementação da logística reversa em todo o país deverá ocorrer, no mínimo, em 2015:

— As câmaras técnicas, criadas pela lei, avançaram em alguns pontos e em outros, não. Vidros e latinhas são os mais reciclados. O óleo de cozinha também já tem um nível alto de recolhimento e reciclagem — diz Minc. — Os materiais mais difíceis são as embalagens, de modo geral, e os eletrodomésticos e eletroeletrônicos. As empresas têm até o fim deste ano para apresentar seu planejamento para inclusão da logística reversa à sua produção, porque o custo do recolhimento e da reciclagem vai ser incorporado aos preços dos produtos.

Próxima fábrica verde será no Salgueiro

A devolução do lixo eletroeletrônico deve ser feita pela cadeia produtiva e pelo varejo, conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas também de acordo com a legislação estadual. À época em que era deputado estadual, Minc foi o autor de duas leis nesse sentido. A lei 3.183/99, que estabelece normas e procedimentos para o serviço de coleta e disposição final de pilhas e baterias; e a lei 4.191/03, que estabeleceu a Política Estadual de Resíduos Sólidos, determinando procedimentos para a produção, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final do lixo. E torna obrigatórios o tratamento do chorume, o apoio às cooperativas de catadores e a desativação dos lixões.

— Agora estamos avançando com as fábricas verdes que já existem no Alemão, na Rocinha, no posto avançado da PUC. E a próxima será aberta no Salgueiro. Nessas fábricas recebemos o lixo eletrônico oriundo de computadores, notebooks e acessórios. Os funcionários são treinados e recebem uma bolsa de R$ 200. São separadas todas as peças. De cada dois ou três computadores descartados, eles montam um computador que funciona, que é doado para escolas e lan houses públicas.

O lixo mais perigoso são computadores, monitores, pilhas, baterias e celulares, pois eles contêm componentes tóxicos como berílio, mercúrio, chumbo, cádmio e arsênico, que, em contato com a terra ou com a água dos rios, podem causar câncer no pulmão, danos cerebrais, no fígado e no sistema nervoso, entre outros. Algumas empresas estão colaborando com o recolhimento desse lixo, como o Grupo Pão de Açúcar e Extra e o banco Santander, que possuem caixas de coletas de pilhas, baterias e celulares. Os celulares e baterias podem ainda ser descartados nas assistências técnicas dos fabricantes desses aparelhos e em lojas próprias das operadoras de telefonia celular.

Mas, no caso dos eletrodomésticos, o descarte é bem mais complexo. Atualmente os consumidores cariocas têm duas opções: ou chamam a Comlurb ou doam para os sucateiros. Gabriel Rodrigues Cascaes e Carlos Henrique dos Santos Pereira passam nos bairros da Zona Sul com uma kombi recolhendo os eletrodomésticos e material que tenha cobre, chumbo, alumínio e metal. Segundo Gabriel, o mais nobre é o cobre, R$ 10,50/kg. Depois vêm o metal, R$ 6,60/kg, o alumínio, R$ 3/kg e o ferro, R$ 0,20/kg.

— Antes de sair já temos as despesas do gás para a kombi, a diária da kombi, R$ 70, e nosso café da manhã. Em média, conseguimos recolher 600 kg por dia, e o que mais recebemos é o metal, que é a matéria principal dos eletrodomésticos. Levamos para vender no ferro velho de Cordovil. De lá, vai para a reciclagem — afirma Gabriel Cascaes.

Não é fácil falar com as empresas por meio de suas páginas na internet. Muitas pedem para o consumidor fazer um cadastro para mandar um e-mail perguntando onde pode descartar o lixo, já que o site não informa. Na Sky não é possível mandar e-mail se não for cliente. É preciso apelar para o chat. A Philips enviou uma resposta padrão em inglês dizendo que responderia em cinco dias, o que não aconteceu.

As empresas que não responderam ao e-mail pelos SACs foram novamente consultadas sobre suas políticas de descarte. Só a Black&Decker respondeu, informando ter mais de 1.500 postos autorizados espalhados pelo Brasil, que recebem os produtos que precisam ser descartados e os encaminham à fábrica em Uberaba, onde recebem o devido tratamento. Para saber onde estão esses postos de descarte, o consumidor pode ligar para o SAC da Black&Decker (0800-703-4644).

Onde descartar

Eletrodomésticos - A Comlurb oferece serviço gratuito de remoção de bens inservíveis (fogões, geladeiras, sofás, eletrodomésticos etc.). O pedido pode ser feito pelo teleatendimento (1746). São removidos no máximo seis itens por residência, exceto para bens de grande peso ou volume (geladeira, freezer), em que a quantidade é limitada a dois itens. Os resíduos podem ainda entregues a um sucateiro.

Celulares e baterias - Podem ser entregues nas assistências técnicas dos fabricantes de celulares e em lojas próprias das operadoras de telefonia celular. Podem ser descartados igualmente em postos nos supermercados Pão de Açúcar e Extra, além das agências do banco Santander.

Computadores e monitores - Podem ser doados às fábricas verdes que funcionam no Complexo do Alemão e na Rocinha. Há também um posto avançado na PUC.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Secretaria do Ambiente inscreve para curso sobre diversidade sexual


Aulas de educação ambiental estimulam conceitos e práticas para ambiente de trabalho sem homofobia

  
A Superintendência de Educação Ambiental, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), lançou, no último dia 13 de setembro, o curso de educação ambiental Ambiente Saudável é Ambiente sem Homofobia. As aulas acontecerão no auditório da SEA, na Av. Venezuela n° 110, 6º andar, e começarão na terça-feira 16 de outubro.

O curso tem o objetivo de unir conceitos e práticas de sustentabilidade ambiental articuladas com a diversidade sexual, por meio do fortalecimento e implementação de políticas públicas de educação ambiental voltadas para questões socioambientais do cotidiano da comunidade LGBT.

Com 35 vagas disponíveis, as aulas começarão em 16 de outubro, se estendendo até 6 de dezembro, das 14h às 18h. O curso Ambiente Saudável é Ambiente sem Homofobia terá duração de dois meses, com aulas duas vezes por semana, que incluirão módulos teóricos, oficinas práticas e atividades de promoção de cidadania. As aulas visam a estimular a ampliação dos conhecimentos da comunidade LGBT acerca da temática ambiental articulada com questões de identidade de gênero, além de divulgar técnicas de arte e artesanato com o reaproveitamento de materiais recicláveis como fonte de apoio à geração de trabalho e renda.

Os interessados devem se inscrever até a sexta-feira 12 de outubro, na Secretaria de Estado do Ambiente (Av. Venezuela n° 110, 5° andar), na Superintendência de Educação Ambiental, das 13h30 às 18h, ou pelo email ambientesemhomofobia@gmail.com.