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transformam-se em bolsas. Paletós viram vestidos. Anéis de alumínio das
latinhas de refrigerantes ganham forma de enfeites em roupas e acessórios. Em
tempos onde a preocupação com a sustentabilidade está em alta, o projeto
EcoModa da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), por intermédio da
Superintendência de Território e Cidadania, tem sua primeira sede montada na
comunidade da Mangueira.
As aulas começaram no dia 17 de setembro e já estão
colhendo resultados. Vera Lúcia da Silva Monteiro, aluna do curso de Bordado,
aprendeu a fazer bolsas observando o que estava sendo ensinado na sala ao lado
da sua, no curso de Designer de Acessórios. Resultado: Vera já recebeu
encomendas de cinco bolsas e garantiu uma renda extra no mês.
- Aprendi que o lixo
pode virar ouro. Estou sempre de olho em objetos que podem ser reaproveitados.
Trabalhava em casa com costura há bastante tempo, mas não sabia bordar. Faço
aulas há quatro anos em outro lugar, mas não é tão produtivo. Aqui, em pouco tempo,
assimilei muita coisa, e o curso já está rendendo frutos – ressalta Vera Lúcia,
mãe dos gêmeos Wendel e Wesley, de oito anos, e de Walacy, cinco. – Fiz o curso
técnico de contabilidade para atender ao pedido do meu pai, mas depois que meus
filhos nasceram, decidi realizar um sonho antigo: o de trabalhar com moda.
Ao contrário de Vera Lúcia, Andressa de Oliveira Santos, aluna
do curso de Acessórios, deparou-se com um mundo totalmente novo, e agora não
pensa mais em sair do caminho da moda.
- Nunca mexi com costura. A única coisa que eu sabia fazer era
enfiar a linha na agulha e achar que estava costurando. Estamos aprendendo a
fazer bolsas e a reaproveitar roupas que pensávamos que não valia mais a pena.
Além de Bordados e Designer de Acessórios, a EcoModa dispõe
ainda de mais quatro cursos que fazem parte de um currículo formal: Corte e
Costura, Estamparia e Serigrafia, Modelagem e Desenho de Moda e Ilustração. As
aulas têm três meses de duração, e além do aprendizado, as alunas recebem uma
bolsa-auxílio de R$ 120 por mês. No fim do trimestre, as melhores alunas serão
convidadas a ocupar o cargo de monitoras das futuras turmas, e receberão uma
ajuda de custo de R$ 600 mensalmente.
Segundo o coordenador criativo da EcoModa, Almir França, o
projeto já estava sendo testado há um ano em outras comunidades. A inauguração
oficial do projeto na Mangueira acontecerá no dia 31 de outubro.
- É um projeto que tem muito a ver com a pacificação nas
comunidades. É uma resposta do Estado para essa questão. Entende-se que moda,
estética, arte são desejos desses cidadãos. É importante ver o que as
comunidades estão fomentando e produzindo em nível de reaproveitamento, e
pensar o quanto isso pode dar cidadania e autoestima aos moradores. Hoje
falamos muito em reaproveitamento, reciclagem e na questão ambiental. É preciso
pensar que nem tudo é lixo necessariamente. As coisas podem ter um tempo de
vida maior, e reaproveitar uma peça ou criar uma nova textura também pode ser
‘fashionista’.
Superintendente de Território e Cidadania da SEA,
Ingrid Gerolimich ressalta que a Ecomoda é um projeto que
surge para dar novas oportunidades às comunidades e abrir uma nova discussão na
sociedade.
- A ideia é trabalhar sempre na perspectiva de gerar renda e de
desenvolver um projeto de economia verde para as comunidades pacificadas. A
EcoModa surge da importância que vemos nesse mercado mesclando sustentabilidade
e reaproveitamento. A ideia é construirmos ao final do projeto um
empreendimento que fale sobre moda sustentável e que chegue ao mercado com
qualidade.
Ingrid explicou ainda que uma parceria está sendo feita com a
Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) para o
reaproveitamento das fantasias de Carnaval e também com as empresas que estão
retomando suas atividades na Mangueira.
- Muitas empresas saíram por causa do tráfico de drogas e da
criminalidade. A ideia é mostrar que está sendo aberto um novo cenário para
investimento na Mangueira. Com projetos como esse, queremos mostrar que a
comunidade está disposta a participar e que ela precisa desses incentivos. As
empresas hoje são muito bem-vindas e encontrarão um celeiro com pessoas que
produzem com qualidade e que são grandes artistas. É isso que queremos mostrar
para todo o Rio de Janeiro, ressaltou.

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