sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Moradores do Complexo do Alemão trocam material reciclável por livro

Da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Pela primeira vez, moradores do Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, podem trocar materiais recicláveis por conhecimento. Isto é possível em uma feira ecológica que ocorre hoje (3) na comunidade e permite a doação de garrafas PET e latinhas de alumínio em troca de livros.

Promovida pela Secretaria Estadual do Ambiente, o objetivo da ação é incentivar a leitura e alertar a população sobre a importância da preservação ambiental. Segundo a superintendente de Território e Cidadania da secretaria, Ingrid Gerolimich, a estimativa é distribuir 2,5 mil livros de diversos gêneros literários e educacionais até o fim do evento, às 17h. O evento tem ainda exposições e oficinas de artesanato.

Ingrid Gerolimich ressaltou que não só os estudantes do projeto Fábrica Verde, como toda a comunidade, podem participar da feira ecológica. Implementado no Complexo do Alemão em outubro do ano passado, o projeto permite a alunos transformar lixo eletrônico em computadores novos. "A gente tenta trabalhar a formação humana como um todo. A gente entendeu que esta iniciativa é importante, não só para os alunos da Fábrica Verde, mas para a comunidade do Alemão como um todo", disse.

A superintendente contou que a feira, iniciada por um grupo de moradores do Complexo da Maré pertencentes ao projeto Livraria Ecológica do Brasil, deve ser disseminada para outras comunidades pacificadas. "É importante porque eles [os participantes] levam daqui e vão falar sobre esta feira, sobre esta ação com os familiares e amigos. Então, a ideia vai crescendo e com isso a gente consegue alguns bons resultados", completou.

De acordo com o coordenador do projeto Livraria Ecológica do Brasil, que apoia a iniciativa no Complexo do Alemão, Demésio Batista da Silva, o próximo passo é montar uma biblioteca, com cinco a seis mil livros. "O primeiro passo foi este, fazer esta feira do livro para atrair as pessoas e incentivar a leitura. O objetivo principal deste evento é captar leitores para a gente montar a biblioteca, além de estar incentivando a preservação do meio ambiente."

Edição: Carolina Pimentel

Fábrica Verde do Alemão promove feira ecológica de livros

Ascom SEA
por Isabela Vasconcellos


A Fábrica Verde do Complexo do Alemão, projeto da Superintendência de Território e Cidadania, da Secretaria de Estado do Ambiente (STC/SEA), promoveu nesta sexta-feira uma feira ecológica de livros na qual moradores e visitantes puderam trocar materiais recicláveis (garrafas PET e latinhas de alumínio) por livros.
Realizado em parceria com a Livraria Ecológica do Brasil e a entidade Ação e Cidadania, o evento contou ainda com uma exposição do artista de rua Claudecir Liberato, reunindo quadros e desenhos voltados para o realismo e figuras humanas, e com oficinas de reciclagem, em que estudantes da comunidade aprenderam a produzir vasos ecológicos a partir de garrafas PET usadas, que evitam a proliferação de larvas do mosquito transmissor da dengue.
A Fábrica Verde do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, foi inaugurada, em outubro de 2011, com o objetivo de transformar lixo eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para moradores da região. Centenas de jovens da comunidade recebem capacitação em manutenção e montagem de computadores, recebendo ajuda financeira mensal. Para cada três máquinas usadas doadas por moradores e empresas públicas e privadas, os alunos montam um computador, que é instalado em telecentros comunitários.
Segundo a superintendente de Território e Cidadania, Ingrid Gerolimich, a Fábrica Verde estimula uma mudança de paradigma na sociedade, com as pessoas valorizando a reciclagem. Além disso, com a feira ecológica, contribui para a prática da leitura e a conscientização ambiental dos moradores do Complexo do Alemão.
Com a disponibilidade de cerca de 3.000 livros de diversos gêneros e grandes autores, os mais de 500 alunos que participaram do lançamento da feira puderam escolher sua leitura favorita. Segundo avaliação dos organizadores, cerca de 2.500 quilos de produtos recicláveis, entre latas e garrafas, foram recolhidos até o final da tarde de hoje, sendo levados para uma cooperativa de catadores da Comunidade da Maré. O dinheiro arrecadado será revertido em melhorias na Fábrica Verde.
Em maio de 2012, a Secretaria estadual do Ambiente abriu uma filial do projeto da Fábrica Verde na Rocinha. Segundo a coordenadora administrativa da Fábrica Verde do Alemão, Rosana Sales, o objetivo é ampliar o número de fábricas em outras comunidades pacificadas do Rio de Janeiro.
Para manter as iniciativas da Fábrica Verde sempre em dia, os organizadores recebem doações de livros e de computadores, e podem ser contatados pelos telefones 3181-4366 e 3123-6911.

Fábrica Verde do Alemão promove feira ecológica de livros


A Fábrica Verde do Complexo do Alemão, projeto da Secretaria do Ambiente, promove nesta sexta-feira (3/8) uma feira ecológica de livros para que moradores e visitantes possam trocar materiais recicláveis (garrafas PET e latinhas de alumínio) por livros.
Realizado em parceria com a Livraria Ecológica do Brasil  e a entidade Ação e Cidadania, o evento contará ainda com exposições e oficinas de artesanato.
A Fábrica Verde do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, foi inaugurada em outubro de 2011 com o objetivo de transformar lixo eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para moradores da região. Em maio de 2012, a Secretaria do Ambiente abriu uma filial do projeto na Rocinha.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Fábrica Verde é destaque no Jornal da Globo

A Fábrica Verde, unidade do Alemão, projeto desenvolvido pela Superintendência de Território e Cidadania da Secretaria de Estado do Ambiente, foi destaque no Jornal da Globo, em matéria que aborda o crescimento da produção do lixo eletrônico no Brasil e a sua respectiva falta de destinação adequada. Confira:


Por André Trigueiro


Brasil é campeão na geração de lixo eletrônico por habitante



O lixo eletrônico cresce três vezes mais que lixo convencional e, segundo a ONU, a situação é mais preocupante nos países emergentes.



O mundo está ficando pequeno demais para tanto lixo eletrônico. São aproximadamente 50 milhões de toneladas por ano. Os Estados Unidos lideram o ranking com três milhões de toneladas, seguidos de perto pela China, com mais de dois milhões de toneladas anuais.

Hoje, o lixo eletrônico cresce três vezes mais que lixo convencional e, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a situação é mais preocupante nos países emergentes. Principalmente no Brasil, campeão na geração de lixo eletrônico por habitante: meio quilo por ano.

O problema é que a maior parte desses resíduos não tem ainda destinação adequada. Um risco para o meio ambiente e a saúde. “Os principais metais pesados são chumbo e são mercúrio. Esses metais geralmente fazem mal para o aparelho respiratório e também para o aspecto neurológico”, fala a coordenadora do Centro de Descarte de Reuso de Resíduos de Informática (CEDIR), Tereza Cristina Carvalho.

O maior centro público de descarte e reuso de lixo eletrônico da América Latina funciona num galpão de 450 metros quadrados, na Universidade de São Paulo (USP). Para o local são levados até 20 toneladas de resíduos por mês. A maior concentração de metal pesado está nos televisores de tubo que concentram até 6 kg de chumbo por unidade, ou nos antigos monitores de computador, que reúnem até 4 kg do mesmo metal cada um.

Toneladas de veneno se misturam com diversos tipos de plásticos, metais e componentes, material jogado fora, mas que tem alto valor de mercado. Sem contar as máquinas que, em muitos casos, ainda funcionam.

Do lado do galpão da USP, um grupo de catadores aprende a desmontar computadores do jeito certo. O curso atende a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a inclusão dos catadores de lixo.

“São duas lições principais: a primeira é a questão da segurança, então de como não se contaminar trabalhando com lixo eletrônico e a segunda, que é mais interessante para os catadores é a questão da renda. Em média, a desmontagem e a separação de cada uma das peças valoriza em até 10 vezes, o valor da sucata de ferro”, explica o estudante de mestrado da Poli-USP, Walter Akio Goya.

“Antigamente o que era vendido por R$ 50 hoje em dia a gente chega a alcançar até R$ 1.500 mil com a venda”, fala o catador André Luis Gonçalves.

Cada tipo de material vai para uma empresa de reciclagem diferente. O centro já doou e emprestou 800 computadores reciclados para projetos sociais e a própria USP usa componentes e peças no conserto de seus computadores.

Quem também está aprendendo a transformar lixo eletrônico em dinheiro é a garotada do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A Fábrica Verde já formou 360 técnicos em informática.

Para cada três computadores doados, um é reconstruído e entregue para associações de moradores, ONGs e creches que atuam nas comunidades.

“Primeiro daqui eu vou levar para minha comunidade. Eu começo com meus parentes. Automaticamente, quando você começa a se associar a um, um espalha pro outro e assim vai crescendo. Hoje eu sou uma pessoa na Fábrica Verde, mas amanhã é um grupo todo”, avisa Geraldo Natal de Almeida.

A Fábrica Verde já doou 20 toneladas de material reciclado para reaproveitamento em vários setores e também oferece cursos de empreendedorismo.

“A gente tem exemplos de jovens que de alguma forma tinham alguma ligação com o tráfico e hoje encontram uma perspectiva diferente. Quer dizer, uma nova forma de ganhar a vida e ao mesmo tempo também saindo daqui com uma consciência social completamente diferente, enfim que na realidade nem existia”, afirma a coordenadora do projeto Fábrica Verde, Ingrid Gerolimich.