Projeto inaugurado em 2011, com objetivo de transformar lixo eletrônico
em inclusão digital, gerando emprego e renda para moradores das comunidades
pacificadas pelo Governo do Estado, abre inscrições para
processo seletivo em dezembro. O Fábrica
Verde, a partir da implantação das Unidades
de Polícia Pacificadora (UPPs), teve sua primeira sede estabelecida no
complexo do alemão, em setembro do ano passado e conta com uma sala de montagem
e manutenção, uma de triagem, um depósito, dois laboratórios, dois telecentros,
além de auditório, cozinha, administração.
O projeto é financiado pela Petrobras, TI
Rio, Cedae, Marinha do Brasil, Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal
Regional do Trabalho (TRT). E com esta parceria, foi inaugurada a fábrica da Rocinha em junho,
formando, em agosto, turma com 120 alunos inscritos.
E após êxito em suas campanhas, estão abertas,
até o dia 04 de dezembro, as inscrições para turmas no alemão e Rocinha , com início das
aulas marcadas para janeiro de 2012.
O curso oferecido capacita os alunos nas áreas
de reciclagem de computadores, monitores e impressoras usadas e os especializa
em montagem e manutenção desses aparelhos. Vale lembrar, ainda, que o curso tem
duração de três meses, oferece bolsa auxílio de R$120,00, as aulas ocorrem nos
turnos da manhã e tarde e o processo seletivo acontecerá de 5 a 7 de
dezembro, das 9h às 11h ou das 14h às 16h.
O Projeto EcoModa da Superintendência de Território e Cidadania da Secretaria de Estado do Ambiente, que tem como proposta transformar lixo em "luxo" foi destaque no Repórter Rio da emissora TV Brasil. Matéria aborda as atividades e objetivos do projeto que tem sede localizado na comunidade da mangueira (Travessão Saião Lobato, 62, Buraco Quente) e que promove cidadania, inclusão social, e que gera emprego e renda para jovens e adultos no ramo da moda sustentável.
Matéria da CBN, sobre a Fábrica verde, apresenta um pouco da proposta do projeto da Superintendência de Território e Cidadania. Em entrevista, Ingrid Gerolimich, que comanda o projeto, apresenta a proposta do programa e solução para o lixo que inclui e trás renda às pessoas da comunidade.
Em um prédio de três
andares, no Complexo do Alemão, jovens a partir de 16 anos têm a chance de
mudar de vida e começar a traçar um futuro reciclando computadores. É ali que
funciona a Fábrica Verde, projeto da Superintendência de Território e
Cidadania da Secretaria de Estado do Ambiente. O objetivo é transformar lixo
eletrônico em inclusão digital, gerando emprego e renda para moradores das
comunidades pacificadas pelo Governo do Estado, a partir da implantação das
Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
Max Vinícius Freitas dos Reis, de 21 anos,
morador do morro do Adeus, é um dos 360 alunos formados no Complexo do Alemão,
primeira unidade da Fábrica Verde, inaugurada em outubro de 2011. Max concluiu
o curso em agosto, e logo depois conseguiu emprego em uma empresa especializada
em corte de madeira, onde faz a manutenção de computadores. Agora o jovem
retornou à Fábrica Verde para fazer o segundo módulo do curso, que oferece
aulas de Montagem e Configuração de Redes.
- Quero fazer faculdade de Direito, mas não
pretendo parar de trabalhar com computadores. Já conversei com amigos,
principalmente os mais novos, para incentivá-los a fazer o curso também. Nessa
área ninguém vai ficar sem emprego. A Fábrica Verde mudou a minha vida. Junto
com a pacificação, vieram também as oportunidades. Há três, quatro anos, não
poderia ter frequentado as aulas. A instalação das UPPs nos ajudou bastante.
Era algo que precisava ser feito. Hoje o Governo está olhando mais para as
comunidades.
Cada módulo tem a duração de três meses, e os
jovens têm aulas de informática, internet, cidadania, empreendedorismo,
educação ambiental e reciclagem. Como incentivo, os alunos recebem uma bolsa no
valor de R$ 120 por mês. Para participar do curso, é necessário ter idade
mínima de 16 anos e estar cursando o ensino médio. Foi o caso de Bruno Sérgio
de Alcântara, de 25 anos, que ganha uma ajuda mensal de R$ 600 durante um ano.
- Para me tornar monitor estudei bastante, mas
cada dia que passo na Fábrica Verde é um aprendizado. Pretendo fazer faculdade
de tecnologia em redes. Quero mudar a minha vida profissionalmente. Tenho uma
pequena padaria e mercearia, e na própria loja desempenho a função de técnico
de computador. Tudo o que aprendi eu uso para fazer outros trabalhos também. A
Fábrica Verde mudou bastante a minha vida porque vi novas oportunidades
surgirem e percebi que poderia ir mais longe. O conhecimento abre a nossa mente
e nos incentiva a evoluir e a correr atrás de mais objetivos.
A unidade do Complexo do Alemão conta com uma
sala de montagem e manutenção, uma de triagem, um depósito, dois laboratórios,
dois telecentros, além de auditório, cozinha, administração e secretaria. Em
média, por semana, são montados 20 computadores, e entre as empresas que
contribuem na doação das máquinas estão a Petrobras, TI Rio, Cedae, Marinha do
Brasil, Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Regional do Trabalho
(TRT).
Além do Complexo do Alemão, a Fábrica Verde tem
ainda uma unidade na Rocinha, inaugurada em junho deste ano e que já formou sua
primeira turma de 120 alunos, em agosto. A comunidade do Salgueiro, na Tijuca,
será a próxima a ser beneficiada pelo projeto.
- A Fábrica Verde surgiu a partir da
possibilidade de entrar nas comunidades pacificadas com uma série de políticas
que precisavam ser implementadas. Começamos a pensar quais tipos de projetos
poderíamos levar para esses moradores, e ao mesmo tempo, dialogar com questões
importantes, principalmente, o desemprego entre os jovens. Unificamos então a
questão da reciclagem, com o aproveitamento do lixo eletrônico, que causa
sérios problemas ao meio ambiente, e ao mesmo tempo tratamos da capacitação, da
possibilidade de emprego e renda para esses jovens – explica a superintendente
de Território e Cidadania da Secretaria de Estado do Ambiente, Ingrid
Gerolimich.
Os computadores com defeito são analisados pelos
monitores e alunos e transformados em novos. Da sala de aula, as máquinas são
transferidas para os telecentros, dentro das próprias unidades, e ficam à
disposição da comunidade, que pode utilizar os computadores inteiramente
grátis. Segundo Ingrid, o objetivo é levar o projeto para outras localidades.
- A ideia é replicar a ação em todas as
comunidades com UPP. Já vimos que a iniciativa está dando certo, que está se
tornando referência para a comunidade e para a sociedade. Há um mês inauguramos
um ponto de coleta fixo de lixo eletrônico na PUC. Esses alunos também estão
dialogando com o projeto. Estamos conseguindo unificar os diálogos e essas
diferenças. Ou seja, fazer com que, não só o morador da comunidade veja a
importância do projeto, mas o empresariado, o próprio Governo, enfim, a
sociedade em geral. A Fábrica Verde fala também de uma questão ainda maior:
existe uma política nacional para que o lixo eletrônico tenha uma destinação correta.
Para doar computadores e peças, pessoas
físicas ou jurídicas podem entrar em contato com as unidades pelos e-mails: fabricaverde1@gmail.com (Complexo
do Alemão) e fabricaverde2@gmail.com (Rocinha).
31/10/2012 - 17:33h - Atualizado em
31/10/2012 - 17:33h
» Fabiana Paiva
Moradores terão cursos como desenho de moda, ilustração, costura e modelagem
Com a proposta de transformar lixo em luxo, a Superintendência de Território e Cidadania da Secretaria de Ambiente inaugurou, nesta quarta-feira (31/10), o Projeto EcoModa na Mangueira. Mostrando o conceito de moda sustentável aprendido no primeiro mês de aulas, os 150 alunos expuseram suas criações. Retalhos, jeans velhos, garrafas de plástico e até CDs ganharam cara nova e foram parar na passarela e na decoração da festa.
Todo o projeto vai capacitar 450 moradores da comunidade, 150 a cada três meses. Os interessados têm a opção de escolher entre os cursos de estamparia, desenho de moda, ilustração, costura, modelagem, serigrafia, design de acessórios e bordado. Para se inscrever é preciso ter, no mínimo, 16 anos e viver na Mangueira. Durante o período de aulas, os participantes ganham uma bolsa auxílio de R$ 120 por mês.
- Queremos oferecer qualificação profissional e meios de geração de renda aos moradores. O EcoModa quer mostrar que quem está na comunidade pode impactar o mercado. Depois dos cursos, queremos montar uma cooperativa, abrir pontos de venda em shoppings e, quem sabe, até participar do Fashion Rio - almeja Ingrid Gerolimich, superintendente de Território e Cidadania.
Encantado com a decoração de lonas bordadas e CDs em formato de fuxico, o secretário de Ambiente, Carlos Minc, destacou que a chegada do projeto na Mangueira foi possível graças à retomada do território.
- Olha esse teto, lindo, alegre e decorado. É a poluição transformada em criatividade. O EcoModa vai ampliar a oportunidade de jovens e mostrar que eles têm valor. A pacificação abriu as portas e janelas para nós trazermos essa proposta de consciência ambiental e geração de renda - disse Carlos Minc.
Aluno do curso de desenho de moda, o estudante Guilherme Oliveira de Souza, de 18 anos, estava eufórico com o desfile dos primeiros modelos criados por ele.
- Deram o tema de Mangueira, a comunidade e a árvore, e desenhei as peças. Nunca pensei que poderia ter uma oportunidade como essa aqui, mas já consigo imaginar colegas na passarela com modelos feitos por nós - sonha o jovem.
Uma das autoras do teto elogiado pelo secretário, a psicopedagoga Damiana Maria dos Santos, de 42 anos, entrou no curso de estamparia para aperfeiçoar sua abordagem com crianças especiais.
- O curso agrega muito porque mexe com cores, desenhos e desenvolve muito o trabalho manual. É uma ótima oportunidade para todos nós - avalia Damiana.
A superintente de Território e Cidadania aproveitou a festa para anunciar que o projeto fez uma parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
- Vamos receber todo material descartado pelas escolas de samba depois do carnaval. Aquilo que eles não reaproveitarem vai virar fashion e vai para o mercado - adiantou.