quinta-feira, 14 de junho de 2012

Estação do teleférico de Bonsucesso vira passarela para profissionais e moradoras

Odia.com - Angélia Fernandes

Rio -  Retalhos vindos do lixo foram sucesso na passarela nesta terça-feira. Eles se transformaram em roupas de luxo no corpo de 30 moradores do Complexo do Alemão e seis modelos profissionais. As peças fizeram parte do desfile sustentável, com material 100% reaproveitado, na estação do teleférico de Bonsucesso.

Na onda da Rio+20, 90 moradores do Alemão foram capacitados por dois meses em oficinas na Fábrica Verde — unidade que transforma materiais reciclados — para transformar lixo em roupa. 

As aulas foram de corte e costura, passarela e customização. No total, 50 modelitos foram apresentados, todos confeccionados com jeans velho, retalhos e banners doados pela Fashion Rio.


“Dá para fazer um visual moderno com materiais que não servem mais”, explica o estilista do desfile, Almir França. “Nunca pensei que usar roupas com retalhos fosse estar na moda. A sensação é de dever cumprido com a natureza”, conta a modelo transexual Aline Medeiros, 22. 

“É a primeira vez que uso roupa reciclada. Estou me sentindo linda!”, comemora a modelo mais velha do desfile, Maria José Manoel, 61, que dividiu a passarela com a moradora do Alemão Jéssica Cristhiny, de 14. Quem também entrou na moda sustentável foi o secretário Estadual do Meio Ambiente, Carlos Minc. Ele ganhou do estilista Almir França um colete feito de banner. “E quem disse que não estou fashion?”, brincou.

As roupas e acessórios serão vendidos a partir desta sexta, durante a Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. As peças ficarão expostas em tenda do Ministério do Meio Ambiente. O dinheiro arrecadado será usado no mesmo projeto na Rocinha, que começa mês que vem, e na Mangueira, que recebe em julho escola técnica de moda para 450 moradores.

Duas exposições são inauguradas

O público já pode conferir desde ontem duas exposições que prometem ser sucesso na Rio+20. No Forte de Copacabana, nove salas com instalações artísticas e conferências sobre sustentabilidade já entretêm o público.

O Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, recebe a videoinstalação ‘Brasil Cerrado’, do artista Siron Franco. A ideia é aproximar as pessoas das belezas do Cerrado brasileiro e mostrar a urgência da preservação.

Na exposição, há insetos, flores, animais, texturas, cores e odores do cerrado apresentados em grandes projeções, com alta definição, esculturas, fotos e textos. “Trabalho aqui há 5 anos e nunca vi algo assim”, elogia a auxiliar de exposição Patrícia Fernandes Silva, 34 anos.

"Quanto mais compras, mais lixo"

Especialista em consumo sustentável, o designer e professor da PUC-RJ há 12 anos Fred Gelli é presença confirmada em três eventos da Rio+20. Um será debate, no dia 21, sobre criatividade e sustentabilidade, no Galpão Cidadania, na Zona Portuária.

1. O que é o consumo sustentável?
A ideia de que comprar deve apenas satisfazer uma necessidade. Quanto mais você compra, mais lixo tem. É mudar a lógica do consumo, parar com a ideia de que os produtos têm vida útil. O prazo é feito para que você compre outro.

2. Como aplicar essa ideia no dia a dia?
Em atitudes simples como reaproveitar a roupa que está larga ou dar um trato no sapato velho. É legal juntar 10 coisas que você não gosta ou não usa mais e transformar. Outra ideia é trocar aquela roupa que não serve mais com uma amiga.

3. O que a conferência Rio+20 vai acrescentar sobre o tema?
Vai debater em como a ideia pode entrar na cabeça do povo. Serão apresentadas propostas criativas para que se gaste menos e reaproveite mais. As empresas também serão alvo porque a ideia do consumo exagerado parte delas.

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