
Nas últimas duas semanas, as atenções do mundo inteiro permaneceram
voltadas para o Rio de Janeiro e para o maior congresso ambiental sediado na
cidade 20 anos depois da Eco-92. A Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, deixou como legado um documento final de
título promissor, "O futuro que queremos", e críticas disparadas de
todos os lados pela sociedade civil e por ambientalistas, que consideraram fracas
as propostas sustentadas no texto.
Em
conversa com o SRZD na tarde desta segunda-feira, o secretário de
Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, fez um balanço sobre as
principais barreiras que afastaram a Rio+20 de seu propósito fundamental, que
era o de estabelecer medidas concretas para a preservação do planeta e a
erradicação da pobreza.
"Estamos
vivendo uma esquizofrenia planetária. Temos uma reunião do G20 que arrecada US$
450 bilhões para injetar medidas anticíclicas em bancos e instituições
financeiras e temos um planeta socioambiental com 193 países que não consegue
arrecadar nem um centavo em prol da vida no planeta. Minha preocupação é com o
dia em que nosso planeta submergir, as geleiras derreterem, o deserto ampliar.
Em que planeta vão colocar esses R$ 450 bilhões?", disparou o secretário.
"Eu
participei de uma mesa sobre 'habitat' na sexta, em que estavam os prefeitos da
Cidade do México e de Belo Horizonte. Depois, conversei com o Ban Ki-Moon sobre
esse método de as propostas serem decididas por unanimidade, permitindo que
qualquer grupo de três ou quatro países tire alguma coisa do texto. Quatro
países tiraram o tópico envolvendo a proteção dos oceanos e das baleias, oito
da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] excluíram o corte dos
subsídios fósseis. Até o Vaticano entrou com sua machadinha e tirou o direito
reprodutivo da mulher", salientou Minc.
Na
opinião do secretário, a Rio+20 não pode ser avaliada só pelas inconsistências
do documento final, assim como o Brasil não pode ser responsabilizado pela
pouca ambição das propostas. Entre as glórias da conferência, ele destacou os
compromissos voluntários entre empresas e governos que somaram mais de US$ 500
bilhões para ações sustentáveis, o reforço do Pnuma (Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente) e o estabelecimento de um cronograma para a aplicação
prática dos objetivos "Foi uma meia bomba. Eu mesmo fui um dos que ficaram
frustrados, mas não acho certo culpar o Brasil, que foi o primeiro a assumir
metas das reduções de carbono por lei. O documento foi aquém do esperado, mas
não por nossa causa, e sim devido ao método utilizado".
No
último dia 13, Minc participou do debate "Sustentabilidade e as
Comunidades Pacificadas do Rio de Janeiro", coordenado pela
Superintendência de Território e Cidadania, da Secretaria de Estado do
Ambiente. Na ocasião, o secretário mostrou que são muitas as possibilidades
existentes para se praticar a economia verde nas comunidades pacificadas pelas
UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras). "Criamos a Superintendência
Território e Cidadania para ações nas UPPs, que coordena seis projetos
ambientalmente engajados. Entre eles, temos as Fábricas Verdes, que recebem
computadores velhos e vão para as mãos de uma garotada treinada para
transformá-los em novos, e o Eco Moda, que ensina jovens costureiras a fazer
moda fashion com material doado do Carnaval e de empresas", ressaltou
Minc.
Atualmente,
240 jovens do Complexo do Alemão e 220 da Rocinha são beneficiados pelo
Programa Fábricas Verdes, que oferece uma ajuda de custo inicial de R$ 200 para
os alunos. Aqueles que mais se sobressaem são contratados como monitores e passam
a receber um salário mínimo. Um exemplo concreto de que a sustentabilidade
pode ser capaz de preservar não só o planeta, mas também os jovens do domínio
do tráfico de drogas.

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