Curso
capacita moradores do Complexo do Alemão, Rocinha e Chacrinha em reciclagem de
computadores usados
Ascom
SEA
Flor
Jacq
Ao
som de berimbaus e atabaques do grupo de dança afro-brasileira Kina Mutembua, a
Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) comemorou hoje (19/9) os dois anos de
instalação da Fábrica Verde do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.
Além
da formatura de 120 alunos e o ingresso de outros 120 em nova turma, durante a
solenidade foram doados dez computadores para o Centro de Orientação e
Reabilitação Beneficente de Inhaúma (Corbi).
Nesses
dois anos de funcionamento da unidade do Alemão, o projeto de reciclagem,
montagem e manutenção de computadores formou 720 alunos e instalou 42
telecentros gratuitos, a partir da doação de 1.400 computadores reconstruídos
pelos alunos.
Presente
ao evento, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, lembrou que há dois
anos e meio, quando foi criada a Superintendência de Território e Cidadania
(STC) da SEA, responsável pela Fábrica Verde, a ideia era resgatar a qualidade
de vida dos moradores de comunidades antes ocupadas pelo tráfico de drogas.
“A
reconquista do território é um esforço contínuo. Agora não cabem mais
desculpas. As Unidades de Polícia Pacificadora vêm abrindo portas e janelas
para que a política pública chegue. E como o meio ambiente não é feito só de
passarinho e plantas, estamos entrando nas comunidades com saneamento, coleta
de lixo e formação dos moradores para, capacitados, se tornem nossos parceiros,
evitando, a exemplo da Fábrica Verde, que metais pesados contidos nos computadores,
como chumbo e zinco, entre outros, contaminem o solo e os lençóis freáticos”,
disse Minc.
A
superintendente de Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich, falou
sobre a responsabilidade de levar projetos para comunidades pacificadas:
“Quando
começamos, não imaginávamos a dimensão que a nossa superintendência iria tomar.
A Fábrica Verde vem se tornando referência em todas as comunidades onde está
instalada e se consolidando enquanto política pública também em outros países.
A convite do governo de Angola, participamos da Feira Internacional de Luanda
sobre novas tecnologias ambientais, e, em breve, iremos à Guatemala. Estamos
exportando nossa experiência e ampliando nossa atuação nas comunidades do Rio”,
comemorou Ingrid.
Para
Marta Barbosa, assistente social do Centro de Orientação e Reabilitação
Beneficente de Inhaúma (Corbi), instituição filantrópica que recebeu da Fábrica
Verde a doação de dez computadores, a inclusão digital auxilia na inclusão
social de pessoas com deficiência.
“Nosso
objetivo é contribuir para a emancipação das famílias que atendemos. Para
receber esses computadores, além de comprovar que éramos uma instituição com
trabalho reconhecido na comunidade, nossa contrapartida foi oferecer espaço
para instalação do telecentro. Queremos facilitar a vida dessas famílias,
distanciando-as da exclusão digital”, disse Marta.
Há
26 anos, o Corbi atende a crianças e adolescentes de zero a 18 anos com
deficiências múltiplas que moram no bairro de Inhaúma e adjacências. A
instituição atende a mais de 400 usuários por mês.
MULTIPLICAÇÃO
DA CIDADANIA
O
projeto Fábrica Verde transforma lixo eletrônico em inclusão
digital, através da capacitação profissional com base na
conscientização ambiental de jovens e adultos nas comunidades pacificadas do
Complexo do Alemão, Rocinha e Morro da Chacrinha.
De
outubro de 2011 para cá, outras duas unidades da Fábrica Verde foram
inauguradas: na Rocinha, Zona Sul do Rio, que já formou 480 cursistas, e no
Morro da Chacrinha, na Tijuca, Zona Norte do Rio, que está encerrando a sua
primeira turma de 120 alunos. Ao todo, 1.320 moradores de comunidades
pacificadas passaram pelas salas das três unidades da Fábrica Verde.
Em
breve, Manguinhos, também na Zona Norte do Rio, receberá uma unidade da Fábrica
Verde.
Parceiro
no desenvolvimento do projeto, o Comando de Polícia Pacificadora foi
representado pelo capitão Amaral: “Antes, a população nos via como sinal de
violência e sofrimento. A UPP vem mudando este pensamento e também mudando o
nosso olhar sobre a comunidade. Toda iniciativa que nos aproxime da população é
bem-vinda, e a Fábrica Verde vem cumprindo este papel”, disse.



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