Fotos: ASCOM – SEA
As exibições de
curtas-metragens e de um documentário com roteiros e edições impecáveis
marcaram a solenidade de formatura da primeira turma de 50 alunos do Projeto TV
Verde; iniciativa da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) promovida na
comunidade pacificada do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.
Bastante aplaudidos pela
plateia que lotou o Cinema Nova Brasília, no Morro do Alemão, os vídeos foram
produzidos e editados pelos próprios alunos da TV Verde, sob a coordenação do
cineasta Paulo Ballado, que já foi diretor da TV Novo Degase – primeira TV
socioeducativa do Brasil.
Lançado em junho deste
ano, no Complexo do Alemão, o Projeto TV Verde oferece cursos de capacitação em
técnicas audiovisuais com cinco meses de duração. Durante o curso, os alunos
recebem uma ajuda de custo mensal no valor de R$ 120,00. A TV Verde opera no
formato de webTV, veiculando seus vídeos pela internet.
Em clima de festa, a
cerimônia começou com a apresentação de poesias, do trio de cantoras de hip-hop
Negras de Atitude – com letras que questionavam a violência doméstica contra a
mulher – e de dois bailarinos da comunidade que apresentaram o espetáculo
Batalha dos Passinhos - uma modalidade de dança de rua nascida nas
comunidades do Rio que acompanha o ritmo das batidas de funk.
Ao participar da cerimônia
de formatura, o secretário do Ambiente, Carlos Minc, disse que o Projeto TV
Verde tem como objetivo não só promover capacitação profissional para moradores
de comunidades pacificadas, mas também oferecer a oportunidade dessas pessoas
expressarem na tela o seu olhar:
“Isso completa bastante a
ideia de território e cidadania, não só pelo fato de se aprender a fazer alguma
coisa, mas de permitir que o morador da comunidade expresse o seu olhar. A
comunicação é poder, e o cidadão não pode ser apenas o receptor dos códigos do
poder. Eles têm de ser também receptores e transmissores dos códigos do poder.
Essa é a verdadeira ocupação, porque descoloniza, coloca o olhar da comunidade
através da música, da imagem e da cultura”, destacou Minc.
DEDICAÇÃO
E UNIÃO
Coordenador do curso, o
cineasta Paulo Balladas disse que ficou muito satisfeito com o engajamento dos
alunos e com sua participação na produção dos vídeos:
“Tivemos muita sorte
porque os alunos foram excelentes, todos eles se dedicaram muito e trabalharam
muito unidos. Daí, a gente teve a ideia de apresentar três vídeos na formatura
deles. Então, as turmas se dividiram em grupo e, a partir daí, surgiram as produções
Lajes Culturais – que falam de alguns projetos que acontecem no Alemão –, Pós
Elas – que retrata o ponto de vista de algumas mulheres após a pacificação – e
o documentário Ocupação Verde, sobre a história do Projeto Fábrica Verde, tendo
o Bruno Alcântara como fio condutor. Vamos abrir o segundo módulo e temos muita
coisa ainda para oferecer”, disse o cineasta.
A superintendente de
Território e Cidadania da SEA, Ingrid Gerolimich, destacou que as aulas da
próxima turma, também com 50 alunos, começam em novembro: “A ideia é de que
tenhamos duas turmas por ano. O curso tem duração de cinco meses”.
Além dos trailers das três
últimas produções da turma, também foi exibido o documentário Ocupação Verde,
que retrata a história do Projeto Fábrica Verde, iniciativa da SEA que tem o
objetivo de transformar lixo eletrônico em inclusão digital, por meio do
reaproveitamento de computadores, monitores e impressoras usados, com a geração
de empregos para moradores de comunidades pacificadas.
Um dos destaques do documentário
foi o personagem Bruno Alcântara, que começou como aluno da Fábrica Verde,
passou a monitor e depois a professor. Bruno conta que com a ajuda de custo de
R$ 600, dada aos monitores da fábrica de reciclagem de computadores, conseguiu
se formar no Senac como operador de câmera, e hoje faz parte da equipe da TV
Verde como auxiliar de produção:
“O Fábrica Verde me deu a
chance de chegar a professor. Eu nem sabia que tinha essa capacidade, pois
sempre tive pavor de falar em público. E hoje, estou trabalhando como auxiliar
de produção da TV Verde”, disse.
Morador do Complexo do
Alemão e aluno do curso do Projeto TV Verde, Erick Alexandre, 18 anos, também
atuou no curta-metragem Benegay. Ele conta que o projeto TV Verde é uma
iniciativa que está lhe dando a chance de ingressar no mercado de trabalho:
“As aulas também me deram
a oportunidade de me expressar melhor, pois sempre fui muito introvertido.
Quero muito trabalhar com comunicação, por isso eu busquei fazer o curso
oferecido pelo projeto TV Verde”, afirmou.
Fonte:
ASCOM - Secretaria do Estado de Ambiente
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