Imprensa RJ
31/10/2012 - 17:33h - Atualizado em
31/10/2012 - 17:33h
» Fabiana Paiva
Moradores terão cursos como desenho de moda, ilustração, costura e modelagem

Com a proposta de transformar lixo em luxo, a Superintendência de Território e Cidadania da Secretaria de Ambiente inaugurou, nesta quarta-feira (31/10), o Projeto EcoModa na Mangueira. Mostrando o conceito de moda sustentável aprendido no primeiro mês de aulas, os 150 alunos expuseram suas criações. Retalhos, jeans velhos, garrafas de plástico e até CDs ganharam cara nova e foram parar na passarela e na decoração da festa.
Todo o projeto vai capacitar 450 moradores da comunidade, 150 a cada três meses. Os interessados têm a opção de escolher entre os cursos de estamparia, desenho de moda, ilustração, costura, modelagem, serigrafia, design de acessórios e bordado. Para se inscrever é preciso ter, no mínimo, 16 anos e viver na Mangueira. Durante o período de aulas, os participantes ganham uma bolsa auxílio de R$ 120 por mês.
- Queremos oferecer qualificação profissional e meios de geração de renda aos moradores. O EcoModa quer mostrar que quem está na comunidade pode impactar o mercado. Depois dos cursos, queremos montar uma cooperativa, abrir pontos de venda em shoppings e, quem sabe, até participar do Fashion Rio - almeja Ingrid Gerolimich, superintendente de Território e Cidadania.
Encantado com a decoração de lonas bordadas e CDs em formato de fuxico, o secretário de Ambiente, Carlos Minc, destacou que a chegada do projeto na Mangueira foi possível graças à retomada do território.
- Olha esse teto, lindo, alegre e decorado. É a poluição transformada em criatividade. O EcoModa vai ampliar a oportunidade de jovens e mostrar que eles têm valor. A pacificação abriu as portas e janelas para nós trazermos essa proposta de consciência ambiental e geração de renda - disse Carlos Minc.
Aluno do curso de desenho de moda, o estudante Guilherme Oliveira de Souza, de 18 anos, estava eufórico com o desfile dos primeiros modelos criados por ele.
- Deram o tema de Mangueira, a comunidade e a árvore, e desenhei as peças. Nunca pensei que poderia ter uma oportunidade como essa aqui, mas já consigo imaginar colegas na passarela com modelos feitos por nós - sonha o jovem.
Uma das autoras do teto elogiado pelo secretário, a psicopedagoga Damiana Maria dos Santos, de 42 anos, entrou no curso de estamparia para aperfeiçoar sua abordagem com crianças especiais.
- O curso agrega muito porque mexe com cores, desenhos e desenvolve muito o trabalho manual. É uma ótima oportunidade para todos nós - avalia Damiana.
A superintente de Território e Cidadania aproveitou a festa para anunciar que o projeto fez uma parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
- Vamos receber todo material descartado pelas escolas de samba depois do carnaval. Aquilo que eles não reaproveitarem vai virar fashion e vai para o mercado - adiantou.




